Vinícius Júnior está rompendo todos os rótulos que o acompanhavam na seleção brasileira, tornando-se finalmente o herói que milhões de torcedores ansiavam ver. Com três jogos, três gols e três performances de destaque, a nova estrela maior do futebol brasileiro está claramente assumindo o controle do time nacional, precisamente no momento em que o país mais precisava de um líder. O atacante do Real Madrid, de 25 anos, marcou em todos os encontros da fase de grupos do Mundial, incluindo dois gols na vitória por 3-0 sobre a Escócia, em Miami. Após o fim da partida, Vinícius deixou uma mensagem emotiva nas redes sociais: “Estou tão feliz por ver vocês felizes. Estou vivendo um sonho. Isso é o Brasil”, escreveu, acompanhando as palavras com a pose celebratória que já é marca registrada de Jude Bellingham.
A ascensão gradual
A ascensão de Vinícius à condição de protagonista não foi automática. Ele estreou pela seleção em 2019, em um amistoso contra o Peru, e passou principalmente pelo banco durante a Copa América de 2021. Só marcou seu primeiro gol no 19º jogo, em uma goleada por 4-0 sobre o Chile, em 2022, já na fase de qualificação para o Mundial. No Qatar, chegou como campeão europeu, após ter decidido a final da Champions League pelo Real Madrid, mas sua performance ficou abaixo das expectativas: um gol e duas assistências, com o Brasil sendo eliminado nas quartas de final pela Croácia. Naquela época, Neymar ainda era a figura principal da seleção.
A lesão grave de Neymar em outubro de 2023, em um jogo de qualificação contra o Uruguai, alterou drasticamente o cenário. O peso de uma nação exigente e impaciente passou para Vinícius, Rodrygo e, em menor escala, Raphinha. Sem a sombra de Neymar, Vini Jr. chegou à Copa América com a responsabilidade de ser o novo farol, mas voltou a falhar nos momentos decisivos, ficando suspenso na eliminação diante do Uruguai.
O contexto do elenco
Raphinha, por sua vez, tem tido um percurso turbulento na seleção. Apesar do sucesso no Barcelona, continua sendo criticado no Brasil, especialmente depois de declarações provocativas e de não ter correspondido dentro de campo. “Já entreguei muito à seleção. O carinho dos torcedores brasileiros é diferente do que sinto no exterior. Se tenho que provar algo, é para mim e para minha família. Sei que há quem não goste do meu futebol. Está tudo bem”, desabafou recentemente. Uma lesão muscular logo no jogo inaugural abriu espaço para a afirmação de Rayan, jovem que tem impressionado e pode manter a titularidade no próximo embate das oitavas de final contra o Japão.
Desempenho inquestionável
Enquanto isso, Vinícius Júnior destruiu qualquer dúvida quanto ao seu estatuto. Ele brilhou contra Marrocos com um gol de antologia, depois foi decisivo diante do Haiti, e frente à Escócia só o VAR o impediu de igualar Pelé como o único brasileiro a marcar três gols em uma partida de Mundial desde 1958. O atacante foi eleito melhor em campo nos três jogos do grupo, juntando-se a uma lista de lendas como Pelé, Ronaldo, Romário, Rivaldo e Garrincha, ao conseguir marcar em todos os encontros da fase inicial. Ele soma agora quatro gols em três jogos, depois de ter apenas nove em 49 jogos pela seleção antes do torneio.
Walter Casagrande, ex-internacional brasileiro e agora comentarista, afirmou que Vinícius “está comendo na mesma mesa de Lionel Messi e Kylian Mbappé”, tal é o nível que apresenta, sendo candidato ao título de melhor jogador e ao prêmio de melhor atacante do torneio. Paulo Vinicius Coelho, conceituado jornalista, considera-o o “herói da resistência” e questiona: “Por que os torcedores ainda gritam Neymar e não Vinícius Júnior?”. Curiosamente, Neymar continua a receber mais aplausos quando entra em campo do que qualquer gol de Vinícius, algo que, segundo muitos, pode estar até beneficiando o novo craque, liberando-o da pressão.
A influência de Ancelotti
A influência de Carlo Ancelotti é inegável nesta evolução. O técnico italiano, conhecido por sua capacidade de gestão humana, tem sido fundamental tanto no Real Madrid como agora na seleção. Ancelotti admite que Vinícius “não trabalha muito sem bola”, mas elogia sua evolução e capacidade de finalização. O próprio Vinícius não esconde a admiração: “É um dos melhores treinadores do mundo. Adaptou-se a nós e percebeu como devíamos jogar. Estamos evoluindo muito nesta competição”, garantiu durante a concentração da seleção.
A expectativa crescente
Com as oitavas de final à porta e a possibilidade de enfrentar a Inglaterra, a expectativa sobre Vinícius Júnior nunca foi tão elevada. Caso mantenha este ritmo, ele poderá finalmente conquistar o coração dos torcedores brasileiros e assumir-se, sem reservas, como o novo ídolo nacional. Resta saber se Raphinha recupera o lugar, se Rayan cimenta a titularidade e, acima de tudo, se Vinícius manterá o estatuto de herói num Mundial onde só os verdadeiros craques sobrevivem ao peso da camisa amarela.