Villas-Boas sobre Sporting: “Não posso viver constantemente nas vitimizações”

Presidente do FC Porto falou à saída da reunião com a ministra da Cultura, Desporto e Juventude, mostrando-se tranquilo em relação aos incidentes no dérbi de andebol entre Sporting CP e FC Porto, e criticando duramente o presidente leonino, Frederico Varandas.

Sobre os esclarecimentos prestados pelo FC Porto, Villas-Boas afirmou: “Não houve garantia nenhuma, o FC Porto prestou esclarecimentos sobre os alegados incidentes que o Sporting divulgou no comunicado. O FC Poto está tranquilo. Promovemos uma auditoria interna, externa, bem documentada. Desde o momento que a porta do balneário é fechada após um treino de uma das equipas hóquei até ser aberta para receber o Sporting. Temos tudo muito bem documentado. O diretor de segurança viu horas e horas de CCTV. Estão excluídas quaisquer prevaricações com produtos de limpeza, tóxicos. Tudo seguiu o procedimento normal. Está excluído qualquer ato de sabotagem interna ou externa, por parte do Sporting também. Há vários jogadores do Sporting que entram e saem do balneário, bem como o treinador Ricardo Costa que está 40 segundos dentro do balneário e mais tarde sente-se mal com a tensão alta. Para nós, FC Porto, custa muito ver um dragão de ouro sentado no chão com sintomas de tensão alta num dérbi, desejamos as melhores e que se encontre em condições para dirigir o Sporting.”

O treinador frisou que a abertura de um inquérito trouxe conforto ao clube: “Para nós é um conforto absoluto que tenha sido aberto um inquérito, porque os documentos que temos são muito óbvios, desde os relatórios médicos ao alto da polícia, que o único levantado é a agressão do Martim Costa a um adepto do FC Porto. A própria polícia publicamente já se manifestou e não há nada de anormal nas condições que o FC Porto deu ao Sporting para se equipar. Estamos tranquilos, provados todos os factos e terminando com o arquivo por parte do Ministério Público, como será seguramente, o FC Porto vai ser implacável com o Sporting, porque é uma calúnia e um atentado contra o seu bom nome, não só por parte do Sporting, como também por parte de alguns comentadores da comunicação social que ultrapassaram a liberdade de expressão.”

Villas-Boas criticou ainda a vitimização do Sporting: “Desde as capas dos jornais, às bolas, aos cones, às toalhas, a única coisa que posso enviar ao presidente do Sporting são novas capas de jornais, um conjunto de bolas, de cones e toalhas. Não sei o que o presidente do Sporting tem contra o FC Porto. A ministra não fez questões nenhumas, porque é tão rara que se venha discutir um incidente que para o Sporting era gravíssimo e devia ser alvo de uma investigação criminal e acabe transformado em bolas, cones e toalhas. É patético, tal como o comunicado do Sporting que refere andebol uma vez e tenta levar uma reunião com o governo para outros casos. Neste caso específico, o FC Porto está bem documentado, refuta. Houve pessoas a sentir-se mal, uma estava com tensão alta e outra com a glicémia baixa. É o relatório que o FC Porto recebeu. Tiveram alta no local e nem sequer houve hospitalização. Tanto quanto sei, há vários jogadores do Sporting a gozarem com a situação. Tal como fez aproveitamento das capas dos jornais. É lamentável esta vitimização permanente.”

O líder portista explicou ainda a sua postura em relação à reconciliação com os clubes rivais: “Tomei posse no sentido de promover diálogo com os três grandes. O único a tentar fui eu, não posso permitir que no decorrer da época haja um presidente que é incendiário, com ataques pessoais e bárbaros à minha pessoa, não tenho problemas em lidar com isso, fui treinador, mas não posso permitir que se suje o nome do FC Porto à vontade. Se há capacidade de entendimento entre os três grandes? Possivelmente. Mas era preciso baixar o tom da comunicação, ter consciência do que se diz, dos próprios erros em vez de atacar com o outro. Provavelmente será em reuniões como esta que se poderá apaziguar os ânimos. Tudo faz parte de rivalidades históricos, estamos no campo das emoções e para nós presidente dos clubes custa-nos muito quando ultrapassamos determinados limites.”

Sobre a situação do jogo da Taça de Portugal, Villas-Boas reiterou: “Compreendo a necessidade apaziguar os ânimos, mas não posso viver constantemente nas vitimizações do Sporting. O presidente do Sporting será encaminhado para outra zona, porque não tenho nenhum prazer em sentá-lo ao meu lado, nem ele ao meu. Somos o promotor do evento, cumprimos com tudo de segurança, mas se o Sporting leva a mal capas de jornais instaladas há imenso tempo, produtos de limpeza que usamos, não posso deixar de registar a vitimização. O objetivo é construir um spa com camas em condições para receber o Sporting. Isto são as rivalidades históricas do futebol português, mas os limites não são roubar toalhas. Se o presidente do Sporting está preocupado com toalhas, tenha cuidado com as garrafas de vidro, jogadores do Sporting que dizem que os árbitros são ladrões e que diz que há 40 anos os presidentes das federações estavam a mando de clubes. Isto não é mais grave?”

Por fim, Villas-Boas concluiu sobre a reunião: “Ministra transmitiu preocupações. Nós temos um papel maior na sociedade e no campo do desporto com os nossos posicionamentos. Eu sou presidente do FC Porto, o canal não deixa de insultar o presidente. O FC Porto não pode ser a chacota e saco de boxe de todos os canais. Quando for arquivado vamos ser implacáveis com todas as pessoas que prevaricaram com o FC Porto. Uma das coisas que o diretor de segurança me chamou à atenção nas imagens é o diretor do Sporting a tirar fotografias às pessoas prostradas no chão para passar a meios de comunicação e a fazer carnaval. Se acham normal, e toda a parafernália de comentários para com o FC Porto e comigo, de quem não fazem mínima ideia do que se passou. O FC Porto está bem documentado.”

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