Villas-Boas evoca percurso no futebol, destaca ligação a Mourinho e aborda confiança em Farioli: «Queremos que fique connosco por muito tempo»

O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, revisitou o seu trajeto no futebol numa entrevista à Gazzetta dello Sport, onde abordou a evolução desde observador até líder máximo dos dragões, passando ainda pela relação com José Mourinho, a aposta em Francesco Farioli e o potencial de Rafael Leão.

Ao olhar para o próprio percurso, o dirigente sublinhou o vínculo emocional ao clube. «O meu sonho sempre foi dar um contributo à equipa da minha cidade e do meu coração. Consegui-o como treinador e agora quero repetir como presidente», afirmou. Recordou ainda as várias etapas da carreira: «Sou sócio do Porto desde que nasci, aos 22 anos fui assistente do Mourinho aqui, aos 32 tornei-me treinador e aos 46 presidente. É uma história da qual me orgulho.»

Apesar da rivalidade atual, com Mourinho ao serviço do SL Benfica, Villas-Boas garantiu que o respeito se mantém. «Mourinho ensinou-me muito e por vezes trocamos mensagens, mesmo que ele treine o Benfica, um dos clubes com grande rivalidade com o Porto. Estamos a competir pelo campeonato, mas respeitamo-nos», referiu, evocando também a passagem pelo Inter de Milão, onde integrou a equipa técnica em 2008/09. «Foi uma bela experiência, que recordo com prazer.»

Confiança em Farioli e análise ao panorama internacional

Na mesma entrevista, o presidente azul e branco destacou o trabalho de Francesco Farioli no comando técnico. «Tem energia, personalidade, grandes intuições, estuda continuamente e pode contar com uma equipa de nove profissionais», explicou, reforçando a satisfação com o rendimento apresentado. «Queremos que ele fique connosco por muito tempo.»

Questionado sobre possíveis semelhanças, Villas-Boas respondeu: «Um pouco, parecemos… Desejo-lhe que ganhe mais do que eu ganhei com o FC Porto. É o treinador que nos levará para o futuro». O dirigente referiu ainda as contratações de Thiago Silva e Gabri Veiga, considerando-as importantes para sustentar o projeto desportivo.

Sobre o futebol italiano, deixou críticas à ausência da seleção no Mundial. «Um Mundial sem a vossa seleção perde algo», afirmou, defendendo mudanças estruturais. «Fazer crescer alguns talentos» e promover «uma reforma que comece pela base, como aconteceu na Alemanha» foram algumas das ideias apontadas.

Seleção portuguesa e ambições no FC Porto

No plano internacional, Villas-Boas mostrou-se otimista em relação à seleção nacional. «Para Villas-Boas, Portugal está num «ponto de viragem», com uma mistura entre a «geração de ouro» e jovens de valor. Sobre Cristiano Ronaldo, deixou uma nota de admiração: «Provavelmente será o último Mundial de CR7, mas com o Cristiano… nunca digas nunca. Não ficaria totalmente surpreendido se o ver em campo também em 2030.»

O presidente portista destacou ainda o papel que Rafael Leão pode assumir. «Em termos de talento, Leão não fica atrás de ninguém», afirmou, apontando ao próximo Mundial. «Espero que Leão seja protagonista, que nos ajude a diminuir a diferença para a França, a favorita devido aos muitos talentos que tem, e a lutar com Espanha, Argentina e Brasil.»

Já sobre as exigências do cargo atual, Villas-Boas foi direto. «Como técnico, há muitas pressões e muitas coisas para controlar dentro e fora do balneário, mas o presidente tem enormes responsabilidades, acima de tudo a de colocar as pessoas certas nos lugares certos nas várias áreas do clube», explicou.

O dirigente recordou ainda a dimensão do universo portista. «O FC Porto é um clube polidesportivo que tem equipas de futebol, mas também de basquetebol, voleibol e andebol. Para mim, que fui eleito pelos outros sócios, é um grande desafio.» Descreveu o primeiro ano de mandato como «difícil, de transformação», centrado na reorganização financeira, ao mesmo tempo que surgem sinais positivos no plano desportivo, com a equipa envolvida na luta pelo título e nas meias-finais da Taça de Portugal.

Eleito em abril de 2024, Villas-Boas explicou a preparação para o cargo. «Antes de me candidatar e de ser eleito, estudei e trabalhei durante dois anos com o objetivo de estar pronto. Estou a dar o meu melhor», disse, assumindo a ambição de superar o passado como treinador. «Espero fazer melhor como presidente. Não é fácil, porque o fosso para os grandes da Europa aumentou em relação ao passado», concluiu.

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