Presidente leonino exige respostas sobre episódios no Dragão Arena

O presidente do Sporting CP, Frederico Varandas, reuniu esta quarta-feira com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e com o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, no Campus XXI, em Lisboa.

No final do encontro, o líder leonino começou por agradecer a rapidez na marcação da reunião e explicou que o objetivo foi abordar temas que vão além do recente caso no andebol: “Queria agradecer a disponibilidade rápida com que a senhora Ministra arranjou tempo para nos receber. Estava também o Presidente da Federação de Andebol, o senhor Comissário de Estado. O tema foi muito para além desse episódio do andebol. O Sporting entendeu que era importante falar com o topo da pirâmide”

Varandas sublinhou que, nos últimos meses, têm ocorrido vários episódios que prejudicam a imagem do desporto: “Desde novembro, e estamos a falar em 5 meses, vários acontecimentos, que sobretudo mancham o desporto e a imagem do desporto. Foram vários exemplos. Mas uma das razões pelas quais quis esta reunião foi para apelar ao topo da pirâmide. Abaixo têm presidentes de federação, de Liga… E falando de futebol, o Sporting está tranquilo porque apoiou ambos os presidentes para as suas eleições. Mas ser presidente nestas funções… Não podemos ter o objetivo de dar-nos bem com os três grandes. E esta tem sido a cultura, de nunca querer tocar nos grandes”

O dirigente criticou ainda a falta de reação institucional a vários casos e apontou diretamente a um clube: “Estes acontecimentos, e recordando os que evoquei aqui, que para mim são graves… O último é pior porque afeta a integridade física e saúde de pessoas, mas parece que foram episódios no setor do turismo. Estou a falar no caso do (árbitro) Fábio Veríssimo, do desaparecimento das bolas quando o FC Porto marcou para não haver reposição rápida, do roubo das toalhas, da colocação de colunas quando o Sporting jogou no Dragão, em que os nossos adeptos tiveram o tempo todo um som para abafar cânticos, que incomodava… E por fim este episódio do andebol. E de facto, o que constatei desde novembro, é que há silêncio total. Total. E até estava a achar piada que, quando vinha para aqui, parece que há uma disputa entre FC Porto e Sporting. Não há quezília nenhuma. O Sporting não tem problema nenhum com nenhum clube. Há um clube que tem um modus operandi nos últimos cinco meses em que tem uma forma de estar, uma atitude desportiva que não encontro adjetivos sem dizer… miserável. E depois, acho muita piada como se coloca tudo na mesma dimensão. ‘Ah, ninguém diz nada’. Presidente da Federação, nada. Da Liga, nada. E atenção, são pessoas sérias. Eu sei. Mas ter valores é lutar contra práticas que interferem na ética e integridade das competições”

O presidente reforçou que considera estas situações incompatíveis com o desporto: “Não faz parte do futebol roubar toalhas, esconder bolas, colocar uma armadilha na televisão… Grande parte, ou parte da comunicação social, coloca isto como se houvesse uma disputa entre dois clubes e os dois ao mesmo nível. Não. O Sporting reage, tenho de reagir. Quem me dera não ter de falar. Não queria falar. Mas se o presidente do Sporting não fala, fala quem? Se não for o presidente do Sporting, quem denuncia e critica isto?”

Sobre a reunião, explicou o pedido feito à tutela: “Apelei à senhora Ministra para falar com os presidentes das federações. Adoraria dar-me bem com todos, adoraria. Mas uma das funções, e basta olhar para o vizinho… Em Espanha há presidentes de Liga e Federação muito duros. Aqui não, não se toca nos grandes. Finge-se que não acontece nada e continuamos nisto”

Relativamente ao polémico jogo de andebol frente ao FC Porto, Varandas foi contundente: “O que se passou foi demasiado grave. Já sabemos que foi tudo uma invenção, tudo uma mentira. O treinador de andebol do Sporting encenou. O Moga também. A delegada, senhora Rosa Pontes, também foi ao balneário e teve de pedir assistências, foi assistida. Mas também inventou. Um colega vosso, penso eu do Record, que após o repto do FC Porto foi visitar o balneário, e onde estava a equipa do Sporting era um cheiro incomodativo, que provocava tosse e mal-estar”

Explicou ainda como viveu o momento à distância: “Eu estava em Lisboa e começa o telefone a tocar, a dizerem-me que a equipa não queria jogar por causa do que estava a acontecer. Surreal. A federação disse que havia condições, o Sporting jogou sob protesto. Até tenho umas cábulas para vos ajudar para colocarem estas questões ao presidente do FC Porto quando ele sair do edifício”

O líder leonino revelou também que entregou um conjunto de questões para serem colocadas ao presidente portista: “Vim aqui sobre cinco casos concretos. Caso de Fábio Veríssimo. Pergunto, porque a resposta oficial do FC Porto ao Conselho de Disciplina foi que foi um lapso, que aquelas imagens eram para o balneário dos técnicos. Gostaria que fizessem esta pergunta ao presidente do FC Porto. Se os técnicos do FC Porto ao intervalo de um FC Porto-SC Braga analisam lances do Fábio Veríssimo num jogo de infantis. Gostava de saber. Porque este foi o comunicado do FC Porto. Um jogo de infantis. Tudo o que está aqui, não foi o Sporting que disse. Foram declarações do Fábio Veríssimo, as vossas sobre o caso do apanha-bolas… E pergunto também o senhor presidente do FC Porto: já vamos com dois meses do jogo do Dragão, mas o que tem a dizer sobre os apanha-bolas? Eu ainda não ouvi. Vocês também não ouviram. Outra pergunta: duas toalhas do guarda-redes Rui Silva foram roubadas por apanha-bolas. Também quero saber, e vocês deveriam fazer a pergunta, o que se passou. Quarta pergunta: foi dito pelo FC Porto, sobre as colunas postas junto aos adeptos do Sporting, que a situação estava relacionada com uma intervenção técnica pontual no estádio. Pergunto se o presidente do FC Porto pode detalhar que intervenção foi essa que calhou no jogo FC Porto-Sporting. Última pergunta para o presidente do FC Porto. E entreguei esta folha à senhora Ministra. Para ajudar a resolver este problema. A última era perguntar se o treinador Ricardo Costa, o jogador Moga, a senhora delegada da Federação de Andebol e se o jornalista do Record, estas quatro pessoas, inventaram todas esta história”

Varandas falou ainda sobre valores no desporto: “A coisa que separa mais não é o ganhar e perder nem ser o verde e azul. É a forma de estar na vida. No outro dia vi a declaração do treinador Farioli, que acho que foi a coisa mais acertada que já o ouvi dizer. ‘Não é por falar em ética que estamos no topo da ética’. E eu quero subscrever a 100 por cento. Sem dúvida nenhuma. Palavras todos temos. Palavras. O que conta são os atos e os gestos. O que conta é que no último jogo em Alvalade, quando o Sporting estava a ganhar 1-0, a equipa do senhor Farioli teve as bolas todas. O guarda-redes Diogo Costa, quando foi preciso, tinha lá as suas toalhas. Os adeptos do FC Porto não levaram com colunas nenhumas. O árbitro do jogo não leva com vídeos dos jogos de infantis. E como o senhor Farioli diz, e concorda, muito mais do que as palavras são os gestos. E quem faz o contrário do que disse, é ter falta de ética e cultura desportiva”

Sobre o impacto do VAR, comentou:“Ajudou muito, ajudou muito, ajudou muito. Desde que funcione. E não esteja desligado em alguns campos. Mas o que gostaria que ficasse claro, agarrando no que nos separa, há um mundo que nos separa. Entre mim e o atual presidente do FC Porto. Mas temos uma coisa em comum: ambos somos presidentes e temos de tomar N decisões ao longo do dia. E tenho a certeza que muitas das que tomo, umas são corretas, outras mais ou menos e outras erradas. Mas há uma coisa que nestes oito anos de presidência sei: é que quando chego a casa, chego e tenho a consciência tranquila que não traí os valores do Sporting, não envergonhei os sócios do Sporting. E uma coisa mais importante: não envergonhei quem educo em casa”

Por fim, recusou comentar possíveis saídas no plantel: “Não vou falar disso. Depois do que disse aqui, não vou falar de transferências”

Entretanto, o presidente do FC Porto, André Villas-Boas, também será recebido pelas autoridades, numa altura em que o Ministério Público já abriu um inquérito para apurar os acontecimentos relacionados com o caso do andebol

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