O Chelsea anunciou, no primeiro dia de 2026, a rescisão de contrato com Enzo Maresca, na sequência de um acordo entre ambas as partes, pondo fim à ligação do treinador italiano ao clube londrino. A decisão, comunicada oficialmente pelos blues, surge num contexto de crescente tensão interna e não apenas motivada pelos resultados recentes.
Em comunicado, o emblema inglês sublinhou os sucessos alcançados durante o período de Maresca em Stamford Bridge, nomeadamente a conquista da Conference League e do Mundial de Clubes, deixando uma nota de agradecimento ao técnico. Ainda assim, o clube acrescenta que ambas as partes «acreditam que uma mudança dá à equipa a melhor opção para voltar a colocar a época no rumo certo». O Chelsea atravessa atualmente uma série de três jogos consecutivos sem vencer, mas a origem da rutura vai além do rendimento desportivo.
A deterioração da relação entre Enzo Maresca e a estrutura diretiva começou a tornar-se pública a 11 de dezembro, após a vitória por 2-0 frente ao Everton. No final desse encontro, o treinador afirmou que «muitas pessoas proporcionaram as piores 48 horas» desde a sua chegada ao clube, sem identificar destinatários, mas deixando clara a falta de sintonia com os responsáveis do Chelsea.
Segundo informações avançadas pela BBC, existiram vários outros pontos de fricção ao longo das últimas semanas. Maresca terá procurado capitalizar a sua imagem associada aos títulos conquistados, chegando mesmo a planear a publicação de um livro, iniciativa que acabou por ser travada pelo clube. O técnico marcou ainda presença na conferência Il Festival dello Sport, em Trento, Itália, organizada pelo jornal Gazetta dello Sport, sem autorização prévia do Chelsea, situação que agravou o clima de desconfiança.
De acordo com a mesma fonte, o treinador italiano evitou usar o vestuário oficial do clube nos dias que antecederam a saída e optou por enviar o adjunto Willy Caballero à conferência de imprensa após o empate frente ao Bournemouth, registado na passada terça-feira.
Outro foco de conflito terá surgido em torno do mercado de transferências. Maresca solicitou à direção a contratação de um defesa-central, na sequência da grave lesão de Levi Colwill, mas o clube defendeu que a solução passaria por dar espaço ao jovem Josh Acheampong. Em paralelo, o nome do técnico começou a ser apontado como potencial sucessor de Pep Guardiola no comando do Manchester City na próxima temporada.
Perante este cenário, a imprensa inglesa avançava já com a possibilidade de Maresca estar a ponderar o futuro e até a forçar uma saída. Em outubro, o treinador mudou de representante, deixando a agência Wasserman para passar a ser representado pela Gestifute, de Jorge Mendes, um sinal interpretado como mais um indício de distanciamento em relação ao projeto do Chelsea.
Club statement: Enzo Maresca.
— Chelsea FC (@ChelseaFC) January 1, 2026