O médio Aurélien Tchouaméni deixou um alerta claro sobre possíveis novos episódios de racismo dirigidos ao colega Vinícius Júnior, garantindo que o Real Madrid está preparado para reagir de forma firme, incluindo a possibilidade de abandonar o terreno de jogo. As declarações surgem após incidentes recentes envolvendo o internacional brasileiro na Liga dos Campeões.
«Chamaram-lhe macaco. Sinto que o próximo passo é abandonar o campo e deixar de jogar. Não vamos permitir que essas cenas voltem a acontecer», afirmou Tchouaméni, referindo-se diretamente ao episódio que envolveu Vinícius Jr. e Gianluca Prestianni, jogador do Benfica.
Numa entrevista ao Pivot Podcast, o internacional francês abordou também um período complicado que viveu ao serviço dos merengues, quando foi alvo de contestação por parte dos próprios adeptos no Estádio Santiago Bernabéu. «Fui transformado em bode expiatório. Nos primeiros 10 a 20 minutos, o estádio assobiava cada vez que eu tocava na bola.»
O jogador, que não participou na eliminação frente ao Bayern Munique, na Allianz Arena, devido a acumulação de cartões amarelos, explicou a forma como lidou com esse momento: «Essa situação ou te destrói, ou pensas: ‘as coisas são assim, vamos ver o que posso controlar’, e a única coisa que posso controlar é o meu rendimento.»
Hoje afirmado como uma das peças centrais da equipa, Tchouaméni reconhece que essa fase contribuiu para o seu crescimento mental. «Há um ou dois anos, era um mau jogador, assobiaram-me no estádio, por isso senti que passei por muito, e isso definitivamente ajudou-me mentalmente. Agora sei que, independentemente do que faça, as pessoas vão falar, por isso simplesmente não presto atenção.»
O médio terminou com uma reflexão sobre a exigência de representar o clube espanhol: «O nível de pressão no Real Madrid é algo diferente. As pessoas vão falar de tudo o que fazes, seja bom ou mau. Jogar no Real Madrid é o maior palco do desporto: a pressão é um privilégio.»