Jorge Jesus participou de uma longa coletiva de imprensa na Cidade do Futebol, onde foi apresentado oficialmente como novo técnico da seleção portuguesa. Em suas respostas, o treinador abordou temas como a presença de jovens talentos, a possível continuidade de Cristiano Ronaldo e a formação de sua comissão técnica.
Jovens talentos e formação portuguesa
Questionado sobre a possibilidade de vermos jogar Rodrigo Mora e Geovany Quenda, Jorge Jesus destacou a qualidade da formação portuguesa: “São dois jovens, como há mais no futebol português. Portugal tem uma formação com muita qualidade. Às vezes digo que Portugal é o Brasil da Europa. Temos essa facilidade. Faltam quatro anos para o Mundial, só os jogadores é que vão dizer isso.”
O técnico enfatizou que não olha para a idade dos jogadores na hora de convocá-los: “Se for um jovem com 17 ou 18 anos que comece e tenha qualidade para estar integrado na equipe principal, será escolhido. Lancei quatro ou cinco jogadores deste grupo. Por exemplo, o Rafael Leão, o Gonçalo Guedes, João Cancelo, Bernardo também…”
Cristiano Ronaldo e o critério de rendimento
Sobre Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus foi claro ao afirmar que o rendimento é o que conta: “Não olho para o jogador pela idade, o mesmo acontece com o Ronaldo. Todos sabem que isso influência, mas o Cris trabalhou um ano comigo e não teve uma lesão. Fazia oito quilômetros por jogo, um ponta de lança. É muito bom. Com velocidade acima dos 25 quilômetros.”
O treinador revelou que, quando trabalhou com Cristiano, tinha dados para poder contar com ele: “Quando achava que tinha de jogar, jogava. Nem o levava para o banco quando achava que não devia jogar.”
Ao ser questionado se Ronaldo jogaria todos os minutos, Jorge Jesus foi categórico: “O jogo é que dita. Não posso ter uma certeza absoluta. O importante é o rendimento do atleta. Se não estiver a render, tem de ser substituído. O nome não conta. Já treinei dois dos três melhores jogadores do Mundo, Ronaldo e Neymar. Falta-me o Messi.”
O técnico citou um exemplo com Neymar para ilustrar sua filosofia: “Disse um dia ao Neymar: ‘You finished’ [estás acabado]. O que achar que é o melhor para a equipe, é assim que será feito.”
Pepe na comissão técnica
Sobre a possibilidade de convidar Pepe para a comissão técnica, Jorge Jesus confirmou que não houve contato ainda: “A equipe técnica vai ser minha e, consequentemente, será da seleção. Nunca falei com o Pepe. Se é um nome que me poderia agradar, sim. Quando cheguei ao Benfica, fui buscar o Luisão para ser um elemento da minha equipe.”
O treinador explicou que já adotou essa estratégia em outros clubes: “Quando cheguei à Arábia Saudita, fui buscar um antigo jogador desses clubes. Portanto, o Pepe é um jogador que reúne todas as condições, pelo passado dele na seleção, mas o último a decidir é ele.”
Análise da seleção e preparação
Questionado sobre o que identificou na seleção após a última Copa do Mundo, Jorge Jesus preferiu não entrar em detalhes: “Claro que vi jogar a seleção. Não quero entrar por aí. Não me compete dizer isso. Não vou fugir à situação, mas não é elegante falar sobre isso.”
Sobre o calendário de preparação, o técnico mostrou-se otimista com o período compacto de jogos: “É verdade que, treinando mais dias, mais horas, o processo começa a ficar identificado. Aquilo que nós partilhamos e as ideias que temos é que, no tempo que houver, temos de trabalhar com a equipe. Não serve de desculpa, é o que é. Vamos fazer quatro jogos em dez dias.”
Jorge Jesus vê vantagem nesse formato: “Quando jogarmos com Portugal na Noruega, será o quarto jogo. Isso é bom. São jogos compactos, todos seguidos. Para mim, é bom. Vou estar diretamente com os jogadores estes dias todos. Não é por aí que alguma coisa não vai funcionar.”