Jardim diz que não é o único responsável por saída do Cruzeiro

Em clima hostil na Libertadores, técnico português rebate críticas e afirma que 'as duas partes abdicaram'

O técnico português Leonardo Jardim voltou a Belo Horizonte nesta terça-feira para enfrentar seu ex-clube, o Cruzeiro, pela primeira mão das oitavas de final da Libertadores. A partida terminou em 1 a 1, mas a atmosfera foi marcada pela animosidade da torcida cruzeirense em direção ao comandante do Flamengo.

Recepção hostil

Da arquibancada do estádio, foram direcionados insultos ao treinador. Os torcedores exibiram notas falsas com o rosto de Jardim e um nariz de Pinóquio, em referência ao fato de ele ter assumido o comando do rival Flamengo meses depois de deixar o Cruzeiro. A raiva se deve a uma promessa anterior de Jardim de que não treinaria outro time brasileiro além do clube mineiro.

Explicações na coletiva

Após o jogo, em entrevista coletiva, Jardim falou sobre o ‘ódio’ que sentiu da torcida e esclareceu os motivos de sua saída. ‘Tenho um carinho especial pelos adeptos do Cruzeiro. Mas, pena minha, houve pessoas que criaram um ódio muito grande. Criaram um ódio em relação a mim porque é mais fácil na vida nos escondermos do que encarar a verdade’, afirmou.

O treinador ressaltou, porém, que não foi o único responsável pelo fim da relação: ‘Eu não abdiquei. As duas partes abdicaram. É fácil vender a ideia de que só eu abdiquei’.

A promessa não cumprida

Sobre as declarações de fidelidade ao Cruzeiro, Jardim explicou que, no momento em que as fez, acreditava que seu futuro profissional estava no Oriente Médio. Como não surgiu uma proposta concreta daquela região, ele aceitou o convite do Flamengo.

‘Eu pensava que ia ficar mais tempo no Brasil. Acabou por não acontecer e, como eu já disse, as duas partes entenderam não continuar. Quando disse isso, a minha ideia não era voltar ao Brasil, sinceramente. Acabou por não haver espaço no Oriente Médio, que era o que eu pretendia. Apareceu o Flamengo e ninguém pode dizer não ao Flamengo. Queira ou não, é o maior clube da América do Sul’, declarou. ‘Já pedi desculpas em relação a essa situação de ter dado uma opinião de que não voltava e voltei atrás na minha palavra’, concluiu.

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