Farioli sublinha exigência máxima antes do Tondela e afasta distrações do dérbi: «O mais importante é o que vamos fazer»

O treinador do FC Porto, Francesco Farioli, deixou, este sábado, uma antevisão marcada pela exigência e pela concentração total no jogo frente ao Tondela, da 30.ª jornada da Primeira Liga, agendado para domingo, às 20h30, no Estádio do Dragão. O técnico sublinhou que a equipa terá de lidar com um calendário apertado e com pouco tempo de preparação, classificando o desafio como um verdadeiro teste à maturidade do grupo.

Sobre a preparação do encontro, o técnico destacou a exigência do contexto competitivo e o pouco tempo disponível para trabalhar a equipa.

«É um teste à maturidade. Estamos num calendário apertado, com dois dias para preparar o jogo, quando voltámos ontem colocámos o nosso foco no Tondela, mudou de treinador há pouco tempo e vimos os últimos dois jogos da equipa. Também andamos mais para trás e vimos o trabalho do treinador na Polónia, onde fez um excelente trabalho, para reconhecermos padrões. Agora, no Tondela, conforme as características dos jogadores, há coisas diferentes que podem acontecer, mas preparamo-nos da melhor forma que pudemos. Vamos estar prontos para abordar o jogo com intensidade».

Sobre o dérbi de Lisboa que decorre no mesmo dia, entre Benfica e Sporting, Farioli recusou qualquer distração.

«É um grande jogo, claro. Nessa altura já estaremos no balneário a preparar o nosso jogo, é o mais importante, não nos podemos distrair, nem colocar expectativas porque as duas equipas são candidatas ao título. Vamos aceitar qualquer que seja o resultado, de forma natural. O mais importante é o que vamos fazer e como vamos abordar o jogo».

O treinador abordou ainda a situação de Oskar Pietuszewski, deixando um recado de proteção ao jovem jogador.

«Ele veio falar comigo, quis pedir desculpa pelo cartão amarelo que viu por protestos. Ele foi atingido duas vezes na cabeça com a bola longe, teve uma reação instintiva que resultou em amarelo. Fiquei chateado com ele por ter visto um cartão desnecessário e ele veio falar comigo para pedir desculpa e o mesmo aconteceu com o Bednarek. É um jogador jovem, a sua evolução nos últimos três meses e a forma como a expectativa está a subir ao seu redor… Quando fizemos o jogo com o Nottingham Forest um jornalista viajou da Polónia só para lhe fazer uma entrevista, é esse o nível de pressão que está sobre ele e é a nossa responsabilidade manter a calma. Não podemos esquecer que é um jogador jovem que ainda está a evoluir».

Sobre a condição física de Martim Fernandes, Farioli foi direto: «Para amanhã não estará. A entorse que teve há alguns jogos foi grave, continua a trabalhar com o departamento médico, faz três sessões por dia para estar preparado, mas não recuperou para o jogo».

Na análise à eficácia ofensiva, num contexto em que a equipa já somou várias bolas aos postes, o treinador relativizou o dado e valorizou a criação de oportunidades.

«Se me dá esse número se calhar temos de mexer um pouco na barra uns centímetros, mas infelizmente não podemos. Em primeiro lugar temos de criar as oportunidades para colocar os nossos jogadores em boa posição e converter essas ocasiões. O que a Liga Europa nos ensinou foi que o nível de exibição que colocámos em campo nos deu o direito para sonhar. Merecíamos o bilhete para a meia-final, mas os detalhes impediram-nos. É uma lição, neste caso a lição da campanha europeia é que tivemos em grande nível em todos jogos que fizemos desde o início para chegar até ao fim. Infelizmente, alguns detalhes levaram à nossa eliminação da competição».

Sobre a possibilidade de o FC Porto beneficiar do resultado do dérbi, Farioli afastou qualquer foco externo.

«Já respondi, para mim de agora até às 20:00 de domingo, é um desperdício de tempo se estiver a pensar no resultado desse jogo. Chegamos a meio de abril em três competições – até há uns dias -, em excelente posição porque somos donos do nosso destino. O resultado do Clássico não é relevante para nós, uma das duas equipas vai perder a velocidade, para nós é importante mantê-la. O nosso foco tem de ser amanhã em campo no Dragão. O que acontecer fora não nos pode afetar».

Sobre o adversário, o técnico deixou uma análise detalhada ao Tondela.

«Pela análise que fizemos, de forma a entender a personalidade do treinador, não estamos à espera de uma equipa em bloco baixo à nossa espera. Se virmos os últimos dois jogos, houve momentos em que tiveram de baixar, mas vi uma equipa muito agressiva, com momentos de homem para homem, deu para ver isso com o Gil Vicente e o Vitória SC. Se olharmos para o passado do treinador na Polónia, já conseguimos ver uma equipa que pressiona bem alto para recuperar a bola. Temos de estar preparados para diferents tipos de pressão e de abordagens. Agora, ao fim de 45 jogos realizados, já defrontamos todas as combinações possíveis. Temos de estar em campo com a agressividade certa com a bola para ferir o adversário e entrar com o pé direito. Amanhã tem de ser mais um jogo em que a nossa mentalidade e identidade têm de estar bem presentes».

Farioli também comentou a utilização de remates de longa distância por jogadores como Alan Varela.

«Não sou um grande adepto de remates de longe, não é porque não gosto, mas porque é mais difícil de marcar. É verdade que há exceções, isso vai com as qualidades dos jogadores na equipa. Mencionou o Alan Varela, o Seko Fofana também é muito perigoso de forma de área, assim como o Gabri Veiga. Se houver espaço para um jogador com essa capacidade… Contra o Nottingham, o remate do Alan foi uma boa decisão, mas infelizmente foi à barra. Não é algo que trabalhamos muito, mas é mais sobre o talento natural do jogador».

Sobre o estado mental da equipa, o treinador mostrou, também, confiança no grupo.

«O jogo contra o Nottingham com 11 jogadores no início e 10 jogadores depois, mostrou que toda a gente está em grande forma para a reta final da época. A equipa está muito ligada, todos estão a jogar, com a fome e espírito certos. Se isso é suficiente? Não. Mas se falarmos de condições e possibilidades, o trabalho que fizemos nos últimos 10 meses deixou-nos em muito boa posição. Esta era uma época de reconstrução, mas com o trabalho do clube fora do campo e dos jogadores dentro de campo, este processo foi muito mais rápido do que todos estavam a contar. Estamos a competir por títulos, agora é tempo de terminar o trabalho».

Por fim, Farioli falou da gestão do plantel e da rotação recente.

«Acima de tudo, significa respeito pelos meus jogadores. Há umas semanas, quando começamos com este universo paralelo de Taças e Ligas, tivemos muitos jogos com oito ou nove mudanças no onze. Podemos ter um plano para o ano, mas não se pode executar sem uma certa maturidade e qualidade do plantel. Tenho sorte por ter um grupo que gere tão bem as competições, com muito respeito pela Liga, Liga Europa e Taça de Portugal. Foi isso que me permitiu tomar essa decisão. Se olharmos para os jogos com o Estugarda e o Nottingham Forest, toda a gente provou que tem a capacidade para fazer grandes exibições com a camisola do FC Porto».

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