O treinador do FC Porto, Francesco Farioli, projetou, este sábado, o encontro frente ao SC Braga, da 27.ª jornada da Primeira Liga, agendado para domingo, às 20:30, no Estádio Municipal de Braga, prevendo um confronto equilibrado e exigente entre duas equipas com identidade ofensiva.
Na conferência de imprensa de antevisão, o técnico italiano elogiou o desempenho da formação bracarense ao longo da temporada, sublinhando a sua consistência interna e o percurso europeu, apontando semelhanças com o adversário recente na Liga Europa.
“Têm estado muito bem desde o início da temporada com a chegada do novo treinador. Têm jogado muito bem no campeonato e com um feito incrível ao ficar no top-8 da Liga Europa, agora com a qualificação para os quartos de final. Jogam muito bem. Marcam muitos golos, é a equipa com mais posse de bola no campeonato, muito dominante no terço adversário, sobrecarregam o lado da bola muito bem, muito agressivos… Por isso, espero um jogo semelhante aos que fizemos com o Estugarda. A forma como se comportam é muito parecida, embora o SC Braga seja mais horizontal e mais orientado para a posse de bola do que o Estugarda. Vai ser um jogo aberto entre duas equipas com o mesmo desejo. Temos de estar preparados para recarregar a bateria depois do grande feito de quinta-feira e jogar com as cartas todas em Braga”.
No que diz respeito à condição física do plantel, Farioli revelou que praticamente todos os jogadores estão disponíveis, embora Diogo Costa permaneça em dúvida até à hora do jogo.
“Toda a gente recuperou bem, hoje tivemos o plantel completo no treino. O único que está em avaliação pelo departamento médico é o Diogo (Costa) devido a uma dor nas costas que ainda existe e uma inflamação na perna. Vamos tomar uma decisão no último momento antes do jogo. O Rodrigo Mora está fora durante 10 a 15 dias, o resto são lesões de longa duração”.
Sobre a gestão física, o treinador portista antecipou um encontro de elevada intensidade, com forte componente tática.
“Quem o SC Braga vai colocar em campo não posso controlar. Hoje tivemos grande parte do plantel preparado para competir a bom nível e de entre os 23 prontos para jogar vou escolher os melhores para o jogo de amanhã. O SC Braga também vem de um jogo europeu, jogaram um dia antes, mas estiveram no seu direito. Sobre esse tópico, vai ser um jogo fisicamente exigente, porque tal como nós é a equipa com maior volume de intensidade e de corridas. Vai ser muito tático também, que vai ser decidido pelos detalhes e atenção total”.
Farioli abordou ainda a situação clínica de Luuk de Jong, admitindo que o regresso do avançado antes do final da temporada é improvável, destacando, em contrapartida, a resposta coletiva da equipa face às ausências.
“É quase impossível. Para mim é importante dar um choque de realidade. O Luuk fez poucos jogos antes de se lesionar, depois voltou e lesionou-se gravemente. O Samu também se lesionou no início de fevereiro. Agora estamos no final de março e a equipa conseguiu cobrir essas ausências, que são muito fortes. Falamos de dois jogadores que na hierarquia inicial da temporada eram os dois avançados principais. Hoje o poder da equipa e do coletivo conseguiu anular o impacto dessas ausências graças ao impacto do Deniz Gul e do Terem Moffi e do resto da equipa. Deixaram-nos na condição de, no final de março, estarmos na luta por três competições e competir até ao fim para ganhar. Isso diz muito do trabalho da equipa, às vezes esquecemo-nos disso. Mas, respondendo à pergunta, vai ser complicado ver o Luuk de Jong antes do final da época”.
O treinador deixou também uma palavra para os jogadores chamados à seleção da Polónia, valorizando o reconhecimento internacional.
“Estamos felizes pela convocatória do Bednarek, Kiwior e do Oskar Pietuszewski. Há pouco tempo recebi uma chamada do diretor técnico da seleção polaca, estava curioso para saber como o Oskar estava a comportar-se, porque a forma como se tem exibido é bem clara. Desejamos-lhes boa sorte para a qualificação, que seria um grande objetivo para eles”.
Relativamente ao perfil do adversário, Farioli reforçou a ideia de um SC Braga ofensivo e intenso, capaz de disputar o jogo em todos os momentos.
“Podia pegar na conferência de imprensa de antes do jogo do Estugarda e fazer uma cópia para este jogo. Claro que há diferenças: o SC Braga tem distâncias de passes diferentes, o Estugarda joga mais curto e combina muito, enquanto o SC Braga quer ficar muito tempo no terço adversário com a bola, depois combinam esse desejo da posse de bola com muita agressividade e com muita envolvência dos três avançados, que pressionam muito, assim os laterais a serem agressivos e os centrais acompanham os adversários em todo o campo. É uma equipa que gosto de ver jogar e foi isso que me levou a dizer que o jogo vai ser aberto entre duas equipas que vão jogar de acordo com a sua identidade. Nós talvez apresentemos algumas diferenças”.
Sem Rodrigo Mora, o treinador admitiu alterações na gestão do plantel, destacando a evolução de Gabri Veiga.
“A evolução do Gabri tem sido muito positiva depois da lesão que sofreu no tornozelo contra o Vitória SC (para a Taça da Liga, em novembro). Precisou de alguns dias para voltar à melhor forma, vinha da melhor exibição da temporada contra o Nice, a lesão atrasou-o um pouco, mas agora está a voltar. Contra o Moreirense, além do golo, criou ainda duas ou três oportunidades, teve um impacto positivo na equipa e podemos recuar aos outros jogos em que esteve envolvido. Da minha parte, tenho muita apreciação pelo Gabri. Sem o Rodrigo Mora – espero que apenas para este jogo -, teremos de gerir de forma diferente, vamos convocar o Tiago Silva da equipa B”.
Quanto à luta pelo título, Farioli recusou considerar o encontro decisivo, lembrando que ainda há muitos pontos em disputa.
“Quantos jogos faltam para acabar? 8. Quantos pontos em disputa? 24 pontos. Ainda há muito por jogar. O SC Braga é um adversário forte, não há como negar, mas a corrida é longa. Vamos passo a passo. Amanhã é claramente um passo importante, mas não decisivo”.
Por fim, o treinador abordou o adiamento do encontro entre Sporting e Tondela, reiterando críticas ao que considera um tratamento desigual na competição.
“Isso não é sobre o FC Porto ser prejudicado, é sobre a Liga. Porque não jogamos sozinhos, não é sobre nós contra eles. São duas equipas a competir pelo título, além de uma luta pela manutenção e tudo o que logicamente está ligado. Mencionamos de forma educada o tratamento especial, fui criticado por alguns colegas vossos, mas da minha parte falamos de lógica, não há nada a discutir, é um facto. O SC Braga teve o mesmo tratamento, mas aqui trata-se de prioridades: a primeira é proteger as equipas que jogam na Europa e isso é algo que é muito positivo para o futebol português no geral.
Por isso é que ainda bem que o SC Braga teve a oportunidade de descansar, mesmo que seja uma desvantagem para nós, mas não ouviram uma queixa da nossa parte de que estamos mais cansados do que eles. Por outro lado, quando não há espaço porque o calendário está cheio e adiamos um jogo sem saber quando será reagendado, então é normal chegar ao comentário de tratamento especial. Podemos usar o exemplo da Premier League, que é totalmente diferente. Neste caso acho que estamos a justificar o injustificável.
Este tipo de tratamentos é muito claro, mesmo que eu tenha chegado de paraquedas de outro país: 15 minutos no VAR, esta situação, ainda aguardamos a decisão do gesto de um jogador em frente às câmeras (Luis Suárez), e infelizmente ao adiar tudo para uma data posterior, as coisas vão andando e vamos esquecendo. Numa Liga em que tudo está tão apertado, ponto a ponto, para ser campeão, ir à Liga dos Campeões ou descer de divisão, então estes pequenos ajustes podem fazer a diferença. Se desejamos uma competição justa como sempre dizemos, isto não vai na direção certa. Dar lições de moral ou de ética não significa estar num cenário ético. Falei de tratamento especial, mantenho as minhas palavras e duas semanas depois o futebol português percebeu que não estou longe da realidade”.