Enzo Maresca deixou o comando técnico do Chelsea no primeiro dia do ano, na sequência de um desacordo profundo e irreversível com a direção do clube londrino. O treinador italiano, de 45 anos, saiu sem negociar os termos financeiros da rescisão, recusando um pagamento que poderia ascender a vários milhões de libras.
De acordo com o jornal The Sun, Maresca terá abdicado de uma compensação a rondar os 14 milhões de libras, cerca de 16 milhões de euros. Esse valor estava previsto no contrato assinado em 2024, aquando da sua chegada proveniente do Leicester, num vínculo válido por cinco temporadas, até 2029, com opção para mais uma. Tendo deixado o clube ao fim de apenas 18 meses, o técnico optou por não receber a verba a que teria direito.
A saída do treinador acontece menos de cinco meses depois de ter acrescentado o troféu do Campeonato do Mundo de Clubes ao sucesso alcançado na Conference League em 2024/2025, numa fase que parecia consolidar o seu projeto em Stamford Bridge.
Os representantes de Maresca rejeitaram de forma categórica qualquer insinuação de que o técnico teria tentado usar o alegado interesse da Juventus e do Manchester City como forma de pressionar o Chelsea a oferecer um novo contrato. Também causaram grande desconforto no treinador as sugestões de que estaria disposto a colocar em risco a condição física de jogadores como Reece James e Cole Palmer, utilizando-os contra pareceres da equipa médica.
No entanto, o ponto de rutura definitiva terá sido a constante ingerência da direção nas decisões técnicas. Maresca considerou inaceitáveis as intervenções do conselho de administração e dos diretores desportivos na definição da equipa, entendendo que tal representava uma falta de respeito para com o trabalho da equipa técnica, dos jogadores e dos adeptos.
Após um confronto interno que se seguiu ao empate caseiro frente ao Bournemouth (2-2), na passada terça-feira, a relação deteriorou-se de forma irreversível, culminando na saída imediata do treinador italiano do comando dos Blues.