O Ministério Público (MP) abriu um inquérito aos incidentes ocorridos no jogo entre FC Porto e Sporting, disputado no sábado, na primeira jornada da fase de apuramento de campeão nacional de andebol, anunciou esta terça-feira a Procuradoria-Geral Distrital do Porto.
Segundo o comunicado, “Face às notícias publicadas sobre os acontecimentos ocorridos momentos antes de um jogo de andebol no Dragão Arena, o MP solicitou à Polícia de Segurança Pública (PSP) o respetivo auto de notícia para oportuna instauração de inquérito criminal, considerando que os factos noticiados poderão configurar crimes de natureza pública”.
A abertura do inquérito acontece na véspera de uma reunião entre a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e o presidente do Sporting, Frederico Varandas, a pedido deste último, que no domingo denunciou alegadas ações “repugnantes” do FC Porto.
O Sporting acusou o FC Porto de “práticas obscuras” depois de alguns elementos da equipa verde e branca terem recebido assistência médica antes da partida, que terminou com a vitória dos bicampeões nacionais por 33-30, no início da segunda fase do campeonato. O jogo começou com cerca de 15 minutos de atraso devido a reclamações sobre um odor intenso no balneário visitante, que afetou o treinador Ricardo Costa e o jogador congolês Christian Moga.
“O mais recente capítulo deste inaceitável encadeamento de episódios atinge um nível que ultrapassa todos os limites: um balneário com cheiro tóxico e intenso que afetou o estado físico de jogadores e staff da equipa de andebol. Isto não é apenas lamentável, é criminoso”, referiu o Sporting.
O FC Porto negou os acontecimentos e classificou as acusações como “graves e abusivas”, afirmando ter contactado a PSP para verificar as condições no pavilhão.
O Sporting denunciou atos de “desrespeito” e “condicionamento” do FC Porto, que “não são isolados nem acidentais”, e pediu uma “posição firme e implacável” das autoridades e dos reguladores do setor sobre “estes comportamentos indignos”, que contribuíram para “manchar o desporto português” e “já ultrapassam os limites do admissível num Estado de direito”.
A Federação de Andebol de Portugal (FAP) fez uma participação ao Conselho de Disciplina para apurar responsabilidades nos incidentes do clássico, que manteve o Sporting na liderança isolada a cinco jornadas do fim da prova. Os leões somam 36 pontos, após vencerem os 23 jogos disputados (foram reduzidos a metade no fim da primeira fase), contra 32 do Benfica, 31 do FC Porto e 26 do Águas Santas.
O presidente da FAP, Miguel Laranjeiro, e o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, estarão presentes na audiência com a ministra e o presidente do Sporting.
Além das denúncias do Sporting, o diretor-geral das modalidades do FC Porto, Mário Santos, acusou o jogador leonino Martim Costa de ter agredido um adepto dos dragões ainda no período de aquecimento para o jogo.