Frederico Varandas, presidente do Sporting, falou, este domingo, aos jornalistas no final da primeira edição do Torneio Aurélio Pereira, que decorreu no Estádio Universitário, em Lisboa. A prova de formação juntou várias equipas e terminou com a vitória do Betis frente ao Sporting na final.
Na sua intervenção, o dirigente leonino começou por destacar a importância da homenagem a Aurélio Pereira e o impacto do seu trabalho na formação do clube de Alvalade.
“É a melhor forma de o homenagear, nestes moldes, com um torneio de referência. É um senhor que ficará na história como uma das pessoas mais importantes no futebol. Ele é o pai da formação do Sporting. Sei que estará a sorrir por ver o seu legado a ser respeitado desta forma, com grandes equipas e muitos miúdos. Quero dar os meus parabéns ao Betis, que venceu o Sporting na final. Será um torneio de referência ao nível da formação.”
Varandas sublinhou ainda o momento positivo que o clube atravessa nas várias modalidades, com presença em competições europeias de topo.
“É um dos melhores momentos da história do Sporting, estamos na Liga dos Campeões em andebol, hóquei em patins, futsal e futebol. Isto demonstra a consolidação de um projeto desportivo. O Sporting está num dos melhores momentos da sua história, num momento de grande pujança desportiva.”
No que toca ao futebol profissional, o presidente leonino reforçou a ambição do clube nas provas europeias e deixou também uma leitura sobre o peso da eliminatória frente ao Arsenal.
“O Sporting está onde quer estar, na decisão das competições. Temos uma Liga dos Campeões onde é um orgulho a campanha que fizemos. Somos uma das oito melhores equipas. A responsabilidade está toda do lado do Arsenal.”
As declarações mais extensas surgiram quando abordou temas relacionados com o presidente do FC Porto, André Villas Boas, e a reunião entre vários clubes com Pedro Proença, na Cidade do Futebol.
“Sobre esse assunto, deixe-me resumir de uma forma rápida. Ouvi as declarações do presidente do FC Porto após a reunião com a ministra porque estava efetivamente curioso se via alguma coisa esclarecida e não vi qualquer pergunta respondida que todos os portugueses gostariam, vi um comportamento do adepto com comparações com uma estrutura profissional, nomeadamente o FC Porto, depois vi um grave atendado à liberdade de expressão, com um claro condicionamento a comentadores e jornalistas, e já agora peço uma ajuda para enviarem essas declarações ao presidente da Associação dos Jornalistas de Desporto, o Sr. Manuel Queiroz, que o homem estava de férias da Páscoa e não assistiu. E o pior, ainda, gozou com o estado clínico de um treinador, de um jogador de andebol, com uma delegada… ainda não vi essa situação esclarecida, infelizmente.”
Varandas acrescentou ainda referências a episódios de reuniões institucionais entre clubes e dirigentes do futebol português.
“Após essas declarações, reparei que havia muitas pessoas a dizerem que já chega, mas o Sporting não começou nada disto. Há um clube que agrediu e outro que foi agredido. O Sporting não agrediu. O Sporting recebe bem as suas equipas, não passa vídeos no balneário dos árbitros para condicioná-los, não tem equipas visitantes a se sentirem mal quando vão ao João Rocha. Mas mais uma vez sinto um silêncio e uma inação por parte das pessoas que dirigem o desporto em Portugal. Se eu não falasse, quem ia defender o Sporting? Mas é curioso que o presidente do FC Porto tenha dito isso (pedido de desculpas). É verdade. Aconteceu numa reunião promovida por Pedro Proença, na Cidade do Futebol, onde estavam os presidentes de FC Porto, Sporting, Benfica e SC Braga. Uma vez que apoiámos Pedro Proença, queríamos saber o estado de determinados dossiês. Foi uma reunião positiva e construtiva, onde avaliámos vários dossiês importantes para o desenvolvimento do futebol português e de reformas. Foi uma reunião produtiva. O próprio presidente Pedro Proença apelou aos próprios clubes para terem responsabilidades e eu próprio, à despedida, lembro-me perfeitamente, pedi desculpa por algum excesso em algumas situações, nomeadamente com o presidente do FC Porto, mas antes da visita da equipa de andebol do Sporting ao Dragão Arena e da equipa do Sporting ao Dragão.”
O presidente leonino concluiu ainda com a partilha de um episódio ocorrido em contexto eleitoral na Liga, envolvendo vários dirigentes do futebol português.
“Mas se o presidente do FC Porto partilhou esse episódio, eu também partilho outro. Há cerca de um ano, estávamos em eleições para a Liga, e os quatro presidentes estiveram com um acompanhante cada – eu, com Salgado Zenha, Rui Costa com Nuno Catarino, Villas-Boas com Pereira da Costa e António Salvador com André Viana – num reunião num hotel em Gaia, para entrevistarmos os candidatos à presidência, João Fonseca e Reinaldo Teixeira. Quando entrevistámos o agora presidente, Reinaldo Teixeira, Villas-Boas disse: ‘Uma coisa extremamente importante para nós, FC Porto, é a verdade desportiva e os casos de justiça. O presidente da Liga tem de ter mão de ferro’. Villas-Boas virou-se para Rui Costa e disse: ‘Isto afeta os dois. Não tenho problemas em dizer que o Apito Dourado e o caso dos e-mails são uma vergonha, por isso queria que o presidente da Liga dissesse que isto não pode voltar a acontecer’. Eu agora pergunto: Villas-Boas também vai dizer publicamente que o Apito Dourado é uma vergonha?”