O treinador do FC Porto, Francesco Farioli, fez, este sábado, a antevisão ao encontro frente ao Estoril, da 29.ª jornada da Primeira Liga, agendado para domingo, às 20h30, no Estádio António Coimbra da Mota, na Amoreira, sublinhando a necessidade de eficácia ofensiva e concentração total numa fase decisiva da temporada.
Perante uma equipa que considera uma das mais perigosas do campeonato no plano ofensivo, o técnico italiano deixou elogios ao adversário e alertou para as dificuldades do desafio. “Vamos jogar contra uma equipa que tem feito uma época muito positiva. Jogam um futebol muito ofensivo. É uma equipa com jogos com muitos golos e um dos melhores ataques da Liga. É um jogo complicado, sendo repetitivo. Do nosso lado, temos de entrar com o espírito correto e na nossa melhor forma”.
Questionado sobre o facto de os dragões entrarem em campo depois de Sporting e Benfica, Farioli desvalorizou o impacto desse cenário. “Não é a primeira vez que somos os últimos a jogar, acho que já aconteceu umas 25-26 vezes esta temporada, jogarmos sempre primeiro no campeonato. É um cenário que conhecemos muito bem, portanto a nossa prioridade tem sido sempre os nossos jogos e colocarmos todas as nossas energias nos nossos jogos.”
Num momento em que cada jornada assume maior peso na luta pelos objetivos, o treinador recusou centrar-se em possíveis consequências. “Todos os jogos tem o seu peso. E o de amanhã é importante. Mas estão a colocar o foco nas consequências, sejam elas positivas ou negativas. O que verdadeiramente importa para os 45 dias que ainda temos pela frente até ao final da temporada é estarmos ligados em tudo o que falta. Estamos ligados em todos os momentos. Colocar as nossas energias nisto ou aquilo, não será algo que nos dê algum tipo de vantagem. Claro que do lado de fora tentam construir uma narrativa de possíveis consequências… Já aconteceu antes. Se o jogo de amanhã não correr bem e tudo colapsar é algo que vai ajudar a vender jornais. Respeito o vosso trabalho, mas do nosso lado temos de ir jogo a jogo. Estamos ligados ao que acontece agora”.
Eficácia ofensiva preocupa
Um dos temas em destaque foi a dificuldade na finalização, agravada pelas ausências no setor mais adiantado. “Falámos depois do jogo com o Nottingham e durante a análise ficou tudo ainda mais claro do que o que vi durante o jogo. Estamos a falar de um facto, devido às ausências do De Jong e do Samu. Mas creio que a equipa tem dado uma resposta coletiva. O William Gomes não vai estar disponível amanhã, e tem sido um dos jogadores com mais contribuições na equipa esta temporada. Agora é tempo de todos compensarem as ausências da frente e aumentar a percentagem de conversão. Seria um grande passo”.
Apesar das limitações, Farioli acredita no equilíbrio do grupo. “Na realidade acho que temos uma boa mistura entre jovens e experientes jogadores. Todos os elementos têm o sangue frio para entrar nesta fase final da temporada, mas também temos elementos com energia e vitalidade que essa idade pode-nos dar. Acho que é a mistura certa para acabar a época da melhor maneira. Com este espírito a atravessar as dificuldades que temos atravessado. A emoção tem sido muita, mas a resposta da equipa tem sido sempre muito boa. Sabemos por quem estamos a jogar. Temos muita gente nas nossas cabeças para lhes dar o que que merecem. A motivação existe, o espírito também, queremos estar concentrados para tudo o que vem pela frente, especialmente amanhã.”
Sobre a contestação a Moffi no último jogo, o técnico apelou à união. “Sabemos que os nossos adeptos são muito exigentes. É bom, de certa forma. A exibição teve momentos de pequena frustração, mas é um jogador que está a dar o seu melhor, a treinar duro, em três meses… Ele está absolutamente no caminho certo. Já marcou alguns golos importantes para nós e mais estão para vir. A união vai ter um papel decisivo nesta temporada e a família portista precisa de estar junta para puxarmos todos para a mesma direção. Todos os jogadores estão focados no melhor para o FC Porto”.
Foco total no presente
Sobre a luta pelos primeiros lugares, Farioli reforçou a ideia de que não há margem para distrações. “Acho que desde o início da temporada que não podemos perder pontos. Se olharmos para a média de pontos dos três grandes esta temporada tem sido melhor do que na última temporada, onde a Liga foi decidida já na última jornada, se não estou errado. Numa época em que os três principais candidatos estão melhores do que no último ano, parece-me que vencer todos os jogos é praticamente decisivo. Se olharmos para coisas extra, perdemos o nosso foco com tudo aquilo que é fundamental para nós e na forma como abordamos os jogos. Para amanhã, nada muda. Se não fosse assim, não teríamos 34 vitórias em 45 jogos. Acho que a abordagem tem de ser a mesma. A mente tem de estar fresca. Mas o desejo em cada momento tem de estar presente no jogo de amanhã”.
Também Rodrigo Mora mereceu destaque na análise do treinador. “Os nossos dois médios mais ofensivos, desde o início da temporada, têm tido um impacto incrível. Falou do Rodrigo (Mora). Há alguns dias recebeu uma convocatória para a seleção nacional, não só pela forma como tem vindo a jogar, mas pela forma como tem competido, um parâmetro onde acho que está a tornar-se cada vez mais completo. Mas também há o Gabri (Veiga), que eu acredito ter a parte mais cerebral da equipa. Tal como o Rodrigo, os dois são capazes de nos dar uma variabiliade que só jogadores talentosos como eles podem dar.”
Quanto à importância do encontro, voltou a rejeitar dramatizações. “Não sei se me expliquei muito bem anteriormente, mas acho que já dei a minha opinião. Pela 7.ª ou 8.ª questão sobre a pressão do jogo de amanhã, vou voltar a dizer que o jogo de amanhã será importante tal como foi o jogo contra o Famalicão, contra o SC Braga… A comparar pelo ritmo que os três da frente têm tido, cada jogo é extremamente valioso para nós. Não precisamos de colocar uma maior pressão sobre a importância do jogo de amanhã, apenas temos de estar preparados para dar o nosso melhor. Pensar no jogo com o Famalicão ou no resultado que teremos no final do jogo, não pode ser a nossa mentalidade. Temos de pensar no que temos de fazer amanhã. Essa é mentalidade para amanhã e para os jogos que se seguem. Não vamos mudar nada. Temos de estar sempre no nosso melhor em todas as oportunidades que tivermos para fazê-lo.”
Por fim, deixou uma palavra sobre Martim Fernandes, que recupera de lesão. “Recebemos notícias relativamente positivas em relação ao tornozelo. É algo que ainda precisa de ser avaliado nos próximos dias, quanto ao tempo que estará de fora, mas é melhor que a avaliação inicial. Sobre o autogolo, os erros acontecem e faz parte do jogo. Infelizmente, quando jogamos este tipo de ações acontecem. A reação do Dragão e dos seus companheiros de equipa foram fantásticas. Demoraram uns 2-3 segundos para perceber tudo o que tinha acontecido, mas no segundo seguinte já estavam ao lado dele e a apoiá-lo. Claro que estes dois momentos não foram felizes para o Martim. Os jogadores passam por estes momentos. Se recuarmos no tempo, no Nottingham ele cometeu um penálti, depois no jogo seguinte viu um cartão vermelho e ultrapassou tudo isso para voltar ao seu melhor. Acredito que voltará ainda melhor da lesão. Tem todas as características para continuar a ajudar-nos. Cabe-nos a nós continuar ao lado dele e apoiá-lo, assim como os adeptos. Estes próximos 45 dias até ao final serão muito desafiantes. Estamos a lutar por troféus importantes e acredito que no final vamos conseguir conquistar tudo o que merecemos.”